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INICIATIVA DA FIOCRUZ COMBATE A INFECÇÃO CONGÊNITA DE CHAGAS


Após cinco anos de desenvolvimento, a iniciativa internacional Cuida Chagas, conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), finalizou suas etapas de campo e iniciou o processo de análise para consolidar seus avanços no Sistema Único de Saúde.



  Manaus, 30/09/2026


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INICIATIVA DA FIOCRUZ COMBATE A INFECÇÃO CONGÊNITA DE CHAGAS





Após cinco anos de desenvolvimento, a iniciativa internacional Cuida Chagas, conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), finalizou suas etapas de campo e iniciou o processo de análise para consolidar seus avanços no Sistema Único de Saúde. Voltado ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento da transmissão congênita da doença de Chagas — infecção causada pelo Trypanosoma cruzi que passa de mãe para filho na gestação ou no parto —, o projeto atendeu grupos vulneráveis em 31 cidades distribuídas entre Brasil, Bolívia, Colômbia e Paraguai.

 

Fruto da cooperação entre a Fiocruz e instituições de pesquisa locais, a ação testou 81 mil indivíduos e identificou mais de 2,6 mil casos confirmados. Um dos principais obstáculos enfrentados é a ausência de sintomas aparentes na maioria dos bebês infectados, como nascimento prematuro, baixo peso e alterações no tamanho do fígado e do baço.

 

Além de expandir a assistência básica de saúde a populações desassistidas, o programa estabeleceu metodologias de busca ativa, promoveu o treinamento de trabalhadores da área e auxiliou na preparação de líderes comunitários. Conforme ressalta a pesquisadora Andréa Silvestre, os resultados deixam um legado duradouro e comprovam a viabilidade de combater a transmissão vertical da doença por meio da atenção primária no SUS.

 

"O projeto deixa como legado caminhos concretos para integrar testagem de mulheres em idade fértil; gestante às rotinas dos serviços, fortalecer o acompanhamento das crianças expostas à transmissão vertical; descentralizar coleta de exames; organizar fluxos entre atenção primária, vigilância, laboratórios, serviços especializados; e ampliar o acesso ao tratamento e ao cuidado integral." 

 

Como forma de aprimorar a fase de triagem e diagnóstico, os profissionais de saúde integraram procedimentos específicos para a avaliação contínua e o monitoramento de recém-nascidos. Entre as inovações adotadas destaca-se a implementação do teste de PCR, técnica capaz de identificar o material genético do parasita na circulação sanguínea e viabilizar a intervenção terapêutica precoce ainda nos meses iniciais do bebê, período em que a probabilidade de cura é significativamente alta. Contudo, a pesquisadora Andréa Silvestre ressalta que a consolidação de novas abordagens no enfrentamento da enfermidade vai muito além da simples inclusão de exames laboratoriais. 

 

"É preciso, antes de tudo, formar profissionais, adaptar os processos às diferentes realidades territoriais e construir soluções junto com as equipes locais, com as pessoas acometidas e também com as comunidades. A nossa experiência mostrou que a participação social é uma parte essencial do cuidado. Quando as pessoas acometidas compreendem melhor a doença, conhecem os seus direitos, elas podem participar mais ativamente das decisões sobre sua saúde e também contribuir para enfrentar." 

 

A pesquisadora salienta ainda que as atividades desenvolvidas ao longo da iniciativa extrapolaram as dependências dos postos de atendimento, alcançando a comunidade de forma mais ampla. 

 

"Essa mobilização ultrapassou todos os serviços de saúde. Em alguns municípios, nós permitimos a criação de leis e políticas locais que incorporaram a doença de Chagas às suas agendas públicas. Essas são conquistas muito relevantes porque ajudam a dar continuidade às ações e a transformar essas iniciativas que foram realizadas através do projeto em compromissos que sejam permanentes nos territórios." 

 

De acordo com a Fiocruz, o término dos trabalhos práticos marca o ingresso do projeto Cuida Chagas em uma etapa inédita, focada no processamento das informações obtidas para converter os achados científicos em melhorias efetivas na estrutura da saúde pública. 

 

 

 

Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br


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