A dependência em apostas atingiu patamares preocupantes no cenário brasileiro, manifestando-se de maneira intensa através das plataformas de jogos de azar na internet e suas consequências sociais. Rafael Ávila, psicólogo com especialização no tema, ressalta os perigos inerentes ao envolvimento com essa modalidade de entretenimento, alertando para a vulnerabilidade dos usuários diante desse novo formato digital.
"Sempre estar atento aos sinais, estar ciente dos riscos de jogar. Os riscos não envolvem apenas perdas financeiras, mas também perdas de relações familiares e comprometimento da sua saúde mental".
Passados oitenta anos desde que os cassinos foram banidos do país por decisão do governo de Eurico Gaspar Dutra, a discussão sobre a jogatina ressurge com força total sob uma roupagem tecnológica. Atualmente, o desafio se deslocou para o ambiente digital, onde o acesso instantâneo e a onipresença das plataformas potencializam os danos financeiros e a desestabilização da estrutura familiar. Sobre esse cenário, Fred Azevedo, que possui experiência na gestão de cassinos e hoje lidera o grupo de apoio SOS Jogador, detalha como a dependência tecnológica desses jogos atua diretamente sobre o funcionamento cerebral, gerando impactos profundos no comportamento dos usuários.
"Quanto mais você joga, mais você aumenta a sua resistência à dopamina. A dopamina é um hormônio que circula no nosso cérebro, ele é produzido pelo nosso cérebro. Só que o nosso cérebro não consegue produzir dopamina o tempo inteiro. Então quanto mais você produz com o jogo, menos você consegue produzir com outras atividades. Isso vai te deixando resistente à dopamina e também você não consegue encontrar prazer em outras atividades".
Enquanto antigamente a fiscalização se concentrava na interdição de estabelecimentos físicos, a realidade atual apresenta um paradigma distinto, onde a possibilidade de apostar está disponível instantaneamente em dispositivos móveis. Através de aplicativos e portais digitais, impulsionados por campanhas publicitárias massivas e uma integração estreita com o cenário esportivo, essas plataformas expandiram drasticamente sua presença no cotidiano, afetando inclusive as camadas mais frágeis da sociedade.
Pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo, em conjunto com a Fundação Instituto de Administração, revelam que o hábito de apostar já superou o uso de crédito e o acúmulo de juros como o principal fator de insolvência financeira entre os lares brasileiros. Amparados por indicadores do Banco Central e do Ipea, os levantamentos apontam que uma parcela considerável da população tem comprometido fatias substanciais de seus orçamentos mensais com a jogatina online.
Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br
|