A ONU Mulheres publicou uma carta aberta com diretrizes estratégicas voltadas à redução das desigualdades de gênero e ao combate à violência contra a mulher no Brasil. Lançado no período que antecede o pleito eleitoral, o documento busca incentivar a discussão de pautas sociais prioritárias durante o debate público, mantendo estrita neutralidade política sem endossar partidos ou candidaturas específicas.
Dentre as eixos centrais, a organização destaca a necessidade de ampliar a representatividade feminina na política nacional, ressaltando o descompasso entre o eleitorado, composto em sua maioria por mulheres, e a baixa ocupação feminina nas cadeiras do Congresso Nacional, cenário que se mostra ainda mais desfavorável quando observada a sub-representação de mulheres negras no Poder Legislativo.
No âmbito da proteção e dos direitos sociais, a publicação enfatiza o fortalecimento dos mecanismos legais de combate à violência política de gênero e a destinação de recursos orçamentários específicos para a prevenção do feminicídio, aliando medidas protetivas e ações educativas. A entidade aborda também a disparidade salarial e a informalidade no mercado de trabalho — que afetam desproporcionalmente a população feminina e negra —, defendendo a valorização e a proteção social das trabalhadoras envolvidas na economia do cuidado, atividade que consome significativamente mais tempo das mulheres do que dos homens. Por fim, o documento inclui a perspectiva de gênero e raça nas discussões ambientais, propondo o financiamento de iniciativas lideradas por mulheres em defesa de territórios e a presença feminina decisória na formulação de políticas públicas sobre mudanças climáticas.
Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br
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