A população da Bolívia iniciou uma nova semana de mobilizações intensas por todo o território, contabilizando cerca de 90 pontos de interdição de estradas espalhados por regiões estratégicas como Santa Cruz, Potosí, Chuquisaca, Oruro, La Paz e Cochabamba. Os bloqueios refletem o descontentamento geral de diversos movimentos e setores sociais diante da orientação econômica neoliberal adotada pelo presidente Rodrigo Paz, que completa sete meses à frente do governo federal.
Paralelamente, na mesma data, o chefe de Estado boliviano oficializou a lei que disciplina o estado de emergência no país, conferindo poder legal para que as Forças Armadas atuem na repressão das manifestações e na liberação das rodovias interditadas por trabalhadores e trabalhadores rurais. O texto legal tinha sido votado e aprovado pela Câmara dos Deputados na madrugada de domingo (07), gerando uma forte cobrança de alas governistas e aliadas para que a sanção presidencial ocorresse o quanto antes.
Com o novo dispositivo jurídico, o governante ganha a prerrogativa de instituir o regime de emergência pelo prazo de até 90 dias, necessitando do aval do parlamento e contando com o direito de prorrogar a medida caso julgue necessário. Na linha de frente dos protestos estão a Federação dos Camponeses ‘Tupac Katari’ e a Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB), organizações que reivindicam a saída imediata do presidente e asseguram que manterão as mobilizações por tempo indeterminado até que as demandas populares sejam plenamente resolvidas. Os manifestantes direcionam fortes críticas à gestão de Paz em decorrência de sua agenda neoliberal, demonstrando contrariedade especial diante das recentes medidas legislativas projetadas para atrair capital privado aos setores de hidrocarbonetos, energia e recursos evaporíticos. Há também denúncias por parte das organizações sociais sobre supostos planos para a privatização de companhias estatais e para o reajuste nos preços das tarifas de serviços públicos essenciais. Somam-se aos atos os aliados políticos do ex-presidente Evo Morales, que vem sendo apontado pela atual administração como o suposto financiador dos levantes, embora nenhuma prova tenha sido apresentada até o momento.
De acordo com o balanço viário divulgado pela Administração de Rodovias da Bolívia, os bloqueios já completam um mês e prejudicam o fluxo em seis departamentos. A maior concentração de interdições ocorre em Cochabamba, com 27 pontos bloqueados, seguida por La Paz com 21, Oruro com 18, Potosí com 15, Chuquisaca com 10 e Santa Cruz com duas barreiras ativas. Na sede do governo, em La Paz, rotas cruciais de ligação com as províncias internas e com a fronteira do Peru seguem inacessíveis, interrompendo o tráfego de passageiros e o transporte de cargas de importação e exportação.
As restrições logísticas geram um efeito cascata sobre as transportadoras e as redes de abastecimento, fragilizando a estabilidade econômica regional. A consequência mais imediata dessa paralisia é o desabastecimento de itens alimentícios nas maiores cidades do país; nas feiras e mercados de La Paz, a escassez de produtos de primeira necessidade é visível, e os feirantes locais já repassam a alta de preços aos consumidores em razão da baixa disponibilidade das mercadorias.
Fonte: www.brasildefato.com.br
|