O Ministério das Relações Exteriores confirmou que dois cidadãos brasileiros, um homem e uma mulher, estão entre as vítimas fatais dos terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira. O Itamaraty informou que já está prestando o suporte consular necessário aos familiares dos envolvidos, mas ressaltou que manterá os dados pessoais preservados em respeito à privacidade das famílias. Em resposta ao desastre no país vizinho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu o apoio do governo brasileiro para auxiliar nos esforços de socorro e determinou o envio de uma missão humanitária para colaborar com as operações de emergência.
"Nós fizemos uma reunião com vários ministros agora. Eu falei com a presidente da Venezuela de manhã, do carro, para perguntar para ela o que que ela precisava que a gente fizesse. E nós estamos reunidos, vários ministros, para a gente mandar tudo o que for necessário mandar para a Venezuela: água, bombeiro, defesa civil, comida, remédio".
Como parte da missão humanitária autorizada pelo governo federal, uma equipe multidisciplinar brasileira decola nesta sexta-feira do Aeroporto de Guarulhos rumo à Venezuela a bordo de uma aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira. O grupo de 44 integrantes é composto por agentes de proteção e defesa civil, representantes da Anatel e 37 bombeiros militares dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, especializados em resgates em estruturas colapsadas. Para auxiliar nos trabalhos de busca, a comitiva leva cães farejadores, uma caminhonete e dez toneladas de materiais e equipamentos diversos. Adicionalmente, os técnicos da Anatel transportam dispositivos tecnológicos capazes de monitorar sinais de aparelhos celulares e outras telecomunicações — ferramentas que já se mostraram eficazes em desastres anteriores no Brasil, como em deslizamentos de terra.
O suporte brasileiro continuará no sábado com o envio de um segundo voo transportando um hospital de campanha estruturado com insumos, medicamentos e uma equipe médica completa, além da doação de cem purificadores de água movidos a energia solar para a Defesa Civil venezuelana. O esforço se soma ao auxílio oferecido por outros países e organismos internacionais, cujos primeiros brigadistas desembarcaram na Venezuela ainda na noite de quinta-feira. Diante da gravidade da situação, o governo venezuelano também recorreu ao setor privado local em busca de reforço em maquinários de salvamento.
Embora o epicentro do abalo sísmico — considerado o mais intenso na região em mais de um século — tenha ocorrido em território venezuelano, os reflexos do tremor foram percebidos na Região Norte do Brasil, afetando os estados do Amazonas, Pará, Amapá e Roraima, o que motivou a evacuação preventiva de seis edifícios em Belém. Na Venezuela, o cenário ainda é de avaliação dos prejuízos. Dados atualizados do Ministério da Saúde local apontam para 235 mortes confirmadas em unidades hospitalares e milhares de feridos, enquanto levantamentos colaborativos já contabilizavam cerca de 50 mil pessoas desaparecidas até as primeiras horas desta sexta-feira. Apesar da magnitude do desastre, informações da agência Reuters indicam que a infraestrutura petrolífera do país, motor principal de sua economia, não sofreu danos severos.
Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br
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