A eleição presidencial no Peru teve um segundo turno extremamente disputado neste domingo, mantendo o país sem um resultado oficial mesmo após a apuração de mais de 90% das urnas na manhã desta segunda-feira. A representante da direita, Keiko Fujimori, aparecia ligeiramente à frente com 50,4% dos votos, enquanto o concorrente da esquerda, Roberto Sánchez, registrava 49,5%. De acordo com os veículos de comunicação locais, a margem que separa os dois concorrentes é muito estreita para apontar quem assumirá o comando da nação.
A candidata direitista carrega o peso político de ser filha de Alberto Fujimori, ex-ditador que governou o território peruano durante os anos 90 e acabou recebendo condenações por desrespeito aos direitos humanos, incluindo episódios de esterilizações forçadas direcionadas a mulheres de comunidades indígenas. Por outro lado, o parlamentar Roberto Sánchez atuou como ministro na gestão do ex-presidente Pedro Castillo e baseou suas promessas de campanha em uma reformulação profunda para substituir a atual carta constitucional, que foi herdada do período fujimorista. Os analistas políticos ressaltaram a estratégia de Sánchez de criar vínculos com a imagem de Castillo para angariar mais votos vindos das populações do interior. Essa polarização ocorre logo após uma primeira fase eleitoral bastante conturbada, que reuniu 35 postulantes ao cargo e demandou mais de trinta dias para ter sua contagem de votos concluída.
O pleito deste domingo também registrou incidentes mapeados pelas autoridades eleitorais, que identificaram tentativas de fraudar ou anular votos por meio de cédulas adulteradas por supostos militantes políticos. Essas ações acabaram contidas pelos mesários, que registraram pelo menos 15 ocorrências desse tipo na Grande Lima, além de episódios semelhantes em outras províncias do país. Diante desse cenário tenso, o líder da Junta Eleitoral, Roberto Burneo, fez um pronunciamento cobrando sensatez e equilíbrio de todas as lideranças e cidadãos para evitar que a lisura do processo seja colocada em xeque. Ao todo, cerca de 27 milhões de cidadãos estavam aptos a escolher o governante que tentará encerrar um ciclo de dez anos de instabilidade institucional, período marcante em que o Peru teve oito mandatários diferentes e enfrentou duas renúncias e seis destituições presidenciais desde 2016.
Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br
|