O deputado Roberto Cidade, que preside a Assembleia Legislativa do Amazonas, expressou preocupação em suas redes sociais nesta quarta-feira a respeito da expansão das comunidades carentes em Manaus. O parlamentar baseou seu alerta em um estudo recente do MapBiomas, que aponta a capital amazonense como a cidade com o maior crescimento proporcional em extensão de áreas favelizadas no país em comparação a outros centros urbanos.
Os números detalham que, entre os anos de 1985 e 2024, a mancha ocupada por favelas em Manaus saltou 2,6 vezes. Esse avanço coloca a região metropolitana local em uma posição crítica no ranking nacional, acumulando 11,4 mil hectares de urbanização em assentamentos precários. Atualmente, essa extensão só é superada pela Grande São Paulo, que possui 11,8 mil hectares, deixando a Grande Belém na terceira posição, com 11,3 mil hectares. Para o parlamentar, esses dados representam um sinal de alerta severo sobre os desafios do planejamento e da realidade urbana de Manaus.
Ao analisar os dados do MapBiomas, o deputado Roberto Cidade classificou o cenário como um alerta crítico, afirmando que a vasta extensão de áreas favelizadas em Manaus é o reflexo direto de uma gestão municipal que falhou em suas promessas e permitiu que o problema ganhasse proporções alarmantes. Segundo o parlamentar, o crescimento desordenado dessas ocupações evidencia a carência de um planejamento urbano sólido e de políticas habitacionais e de infraestrutura que realmente funcionem.
O presidente da Aleam enfatizou que a liderança de Manaus nesse ranking negativo é um retrato do abandono público, onde a falta de organização estatal resulta em ocupações irregulares e problemas crônicos como alagamentos, penalizando a parcela mais vulnerável da população. Para ele, os números atuais tornam urgente a implementação de estratégias públicas estruturadas, especialmente em áreas que lidam com uma expansão populacional muito rápida.
Em tom de cobrança, Roberto Cidade destacou que a capital amazonense não pode mais ser administrada por meio de improvisações. Ele defendeu que a ausência de ordem no crescimento urbano compromete diretamente o bem-estar dos cidadãos, ressaltando que Manaus precisa de soluções concretas e respeito ao planejamento para evitar que sua população seja condenada a uma baixa qualidade de vida.
O deputado ressaltou que a discussão sobre o desenvolvimento urbano não deve ser isolada, exigindo uma articulação entre as diversas esferas governamentais. Para ele, o foco central deve ser a implementação de medidas que assegurem habitação de qualidade, serviços básicos e proteção para as comunidades situadas em regiões de vulnerabilidade social.
Dados do MapBiomas corroboram a urgência do tema ao revelar que, entre 1985 e 2024, as favelas no Brasil expandiram-se em 92,3 mil hectares, o que representa um crescimento de quase três vezes em menos de quatro décadas. Esse avanço das ocupações ocorre de forma muito mais acelerada do que a urbanização convencional das cidades, fenômeno que, na visão de especialistas, agrava severamente os problemas sociais, os impactos ambientais e os gargalos de infraestrutura urbana em todo o país.
Dados
Dados do IBGE referentes ao Censo de 2022, divulgados no final de 2024, revelam a magnitude do desafio habitacional no Amazonas. Das 392 comunidades urbanas e favelas identificadas no estado, 236 estão concentradas em Manaus, abrigando uma população de mais de 1,15 milhão de pessoas. Esse contingente representa uma realidade impressionante: a maioria dos habitantes da capital amazonense, cerca de 55,81%, vivia em assentamentos desse tipo no ano do levantamento.
A densidade dessas ocupações também se reflete no perfil imobiliário da cidade. Segundo o instituto, 390.725 residências em Manaus estavam situadas em favelas, o que corresponde a 52,94% de todos os domicílios da capital. Esse cenário coloca a cidade em uma posição de destaque negativo no panorama nacional: entre as 20 maiores comunidades urbanas do Brasil em termos populacionais, oito pertencem à região Norte, e seis delas estão localizadas especificamente em território manauara.
Fonte: www.aleam.gov.br
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