A partir desta segunda-feira, o Brasil se torna o centro das atenções globais no que diz respeito à proteção da fauna nativa com a abertura de um encontro de cúpula em Campo Grande. A capital sul-mato-grossense sedia, ao longo de toda a semana, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, evento conhecido internacionalmente como COP15.
Durante a apresentação do cronograma de atividades, a ministra Marina Silva ressaltou que a sobrevivência de animais com rotas migratórias globais depende diretamente da articulação entre diferentes nações. Segundo a titular do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o fortalecimento da cooperação territorial é um pilar indispensável para garantir que esses fluxos migratórios não sejam interrompidos e que as espécies consigam prosperar em seus habitats naturais espalhados pelo planeta.
A ministra Marina Silva destacou que a preservação de animais silvestres exige um modelo de governança dinâmico e integrado, uma vez que essas espécies não respeitam fronteiras geográficas fixas. Segundo ela, a ausência de parcerias sólidas inviabiliza o cuidado tanto com os animais quanto com seus habitats naturais. Além disso, as espécies migratórias funcionam como bioindicadores essenciais, servindo como um termômetro que revela o nível de vulnerabilidade ou de conservação ambiental de diferentes regiões e países ao redor do globo.
Os debates da conferência, que ocorre entre os dias 23 e 28 de março, serão pautados pelo rigor técnico e científico. Este encontro marca um momento institucional relevante, pois o Brasil assumirá a presidência da convenção pelos próximos três anos. Sob o tema "Conectando a natureza para sustentar a vida", a COP15 pretende consolidar decisões estratégicas baseadas em diagnósticos atualizados sobre o estado de conservação da fauna migratória, definindo as próximas metas a serem cumpridas pelas nações integrantes.
A estrutura do evento conta com a participação de 133 partes, incluindo a União Europeia, e deve atrair cerca de duas mil pessoas para a capital sul-mato-grossense. O objetivo central é discutir soluções práticas para os desafios que envolvem a proteção das rotas de deslocamento e a garantia de ambientes seguros para essas espécies, assegurando que os caminhos percorridos por esses animais continuem sendo viáveis para a manutenção da biodiversidade mundial.
Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br
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